
Todo mundo quer o topo da montanha, quer o sucesso, quer a estabilidade financeira, quer uma família feliz e uma vida espiritual profunda. Mas pouca gente quer pagar o preço. Gostamos da ideia de que existe uma maneira mais fácil, um atalho, uma forma de obter ganho rápido, recompensa sem esforço.
Como sou apaixonado pelos livros, sempre reparei nos anúncios de leitura dinâmica – aqueles supostos cursos do tipo “leia 200 páginas em 30 minutos”. Até hoje essas promessas circulam pela internet. Porém, nunca embarquei nesse tipo de atalho. Se é para ler, lemos no ritmo necessário, absorvendo e apreendendo o que o autor se propôs a apresentar na obra.
Tem um provérbio bíblico que gosto muito e que define as pessoas que buscam atalhos. Provérbios, capítulo 13, versículo 4, diz: “O preguiçoso muito quer e nada alcança, mas os que trabalham com dedicação prosperam.”
O sábio Salomão começa expondo uma armadilha silenciosa: “o preguiçoso muito quer”. Repare que o problema aqui não é a falta de sonhos ou de objetivos. O personagem do texto faz planos, projeta o futuro e deseja coisas boas. O erro dele não está no querer; está no comportamento, na atitude – ou na falta dela. O sujeito quer, mas não se mexe, nada faz. O querer dele morre na intenção. E a conclusão do texto é inevitável: ele “nada alcança”.
Sabe por quê? Porque o desejo sem ação gera apenas frustração e desculpas. A pessoa não conquista o que sonha e ainda arruma justificativa para o fato de não ter alcançado o seu propósito.
Mas o texto de Provérbios não para no diagnóstico do problema. O sábio apresenta a solução: “os que trabalham com dedicação prosperam”. Isso aponta para a constância, para o esforço intencional e diário.
Prosperidade na Bíblia não é um passe de mágica ou sorte – não há bênção para quem fica de braços cruzados esperando um milagre acontecer; nada cai de graça, no colo. A bênção de Deus encontra as mãos de quem se levanta para trabalhar. Deus abençoa o esforço, multiplica o suor e dá direção para quem se movimenta com integridade no chão da rotina.
Dias atrás, eu vi a Cristina Junqueira, co-fundadora do Nubank, responder uma seguidora no Instagram. A pessoa perguntava: “O que eu faço para realizar os sonhos, quando falta motivação?”. Eu adorei a resposta, porque é algo que eu sempre repito: não podemos depender da motivação. O que tem que ser feito precisa ser feito – com motivação ou sem motivação.
Muitas vezes, ficamos esperando algo mágico acontecer para nos mexermos. E, pior, por vezes, queremos transferir para Deus a responsabilidade daquilo que Ele nos deu capacidade para fazer. A gente ora pedindo uma porta aberta, mas não se prepara para a vaga. A gente quer um bom relacionamento, mas não faz a manutenção, não investe, só espera pelo outro. A gente ora pedindo sabedoria, mas não estuda.
Quem compreende essa verdade desce do mundo das ilusões e assume o seu papel. Entende que é com dedicação diária que se realiza sonhos degrau por degrau. A pessoa dedicada não espera as condições perfeitas para começar; ela faz o melhor que pode com o que tem nas mãos hoje, sabendo que Deus é justo para recompensar quem caminha com retidão e afinco.
Portanto, se você tem se sentido frustrado com planos que não saem do papel ou se a tentação de esperar o atalho bateu à sua porta, reavalie a sua rota. Mude o foco do querer para o fazer.
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Ronaldo Nezo
Comunicador Social
Especialista em Psicopedagogia
Mestre em Letras | Doutor em Educação
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