
Comerciantes da região central relatam preocupação com a presença de pessoas em situação de rua nas proximidades da Avenida Horácio Racanello, próximo ao cruzamento com a Avenida 19 de Dezembro. Segundo relatos, algumas pessoas permanecem no local há vários dias.
De acordo com comerciantes ouvidos pela reportagem, a concentração tem causado preocupação entre moradores, trabalhadores e clientes que circulam pela região.
O comerciante Valdir Batista afirmou que a situação precisa de atenção do poder público para garantir atendimento às pessoas em vulnerabilidade e também segurança para quem trabalha no entorno.
“Todas as pessoas que passam por ali ficam com medo, nunca se sabe o que pode acontecer. Infelizmente Maringá está tomado por moradores de rua, na 19 de Dezembro simplesmente não dá pra circular, pois abordam até nos carros”, relatou.
Outro comerciante da região, que preferiu não se identificar, afirmou que a presença constante de pessoas no local tem alterado a rotina dos estabelecimentos. Segundo ele, alguns clientes demonstram receio ao passar pela área, principalmente em determinados horários.
De acordo com levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, publicado em janeiro de 2026, vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos-UFMG), Maringá contabiliza 925 pessoas nessa condição na microrregião. No Paraná, Maringá é o quarto município com maior população em situação de rua, atrás de Curitiba (4.244), Foz do Iguaçu (1.028) e Ponta Grossa (947).
No total do Norte Central Paranaense, a população em situação de rua chega a 2.082 pessoas, enquanto no Paraná são 15.604, sendo 53% brancas, 45% negras, 47% com idade entre 40 e 59 anos, 47,1% com ensino fundamental incompleto e 90% do sexo masculino. Em todo o Brasil, o número chega a 365.822 pessoas.
Em nota, a Secretaria de Assistência Social, Políticas sobre Drogas e Pessoa Idosa (SAS) informou que realiza diariamente a busca ativa de pessoas em situação de rua, oferecendo atendimento e encaminhamento para a rede socioassistencial e demais políticas públicas, principalmente na área da Saúde.
Segundo a secretaria, o trabalho é baseado no acolhimento, na escuta qualificada e na criação de vínculo com as pessoas atendidas. A partir desse contato, as equipes identificam as necessidades individuais e buscam encaminhamentos conforme cada caso.
A SAS também orienta que a população pode acionar o Serviço Especializado de Abordagem Social ao identificar pessoas em situação de vulnerabilidade nas ruas. O atendimento é realizado pelo telefone de plantão (44) 99103-5661.
A Guarda Civil Municipal informou que mantém o patrulhamento reforçado na região central. Em situações de ameaça, agressão ou qualquer ocorrência que configure crime ou ofereça risco à população, a orientação é acionar o telefone 153.
Segundo a corporação, as equipes são encaminhadas para atendimento das ocorrências e adotam as medidas previstas conforme cada situação.
Alexia Alves
Foto – Jornal do Povo
