Enquanto muitos ainda estão preocupados com o desempenho da seleção brasileira na copa do mundo, a classe política trabalha arduamente em prol das eleições 2010. Ainda que este trabalho prossiga visando às articulações de bastidores, os pré-candidatos intensificam a agenda de visitas, na tentativa de aparecerem cada vez mais para o público. Neste contexto, a população discute, timidamente, as candidaturas majoritárias (presidente e governadores). Todavia, dois cargos são essenciais para tal conjuntura: os deputados estaduais e federais da região de Maringá.
No atual sistema eleitoral brasileiro, o eleitor pode votar em candidatos para deputado desde que tais candidaturas estejam condicionadas ao estado em que consta o seu título eleitoral. Por exemplo: residindo em Maringá, posso votar somente em candidatos paranaenses. Esta regra vale para todo o estado, visto que o deputado estadual tem por missão legislar sobre assuntos ligados ao Paraná.
Uma das propostas da chamada “reforma política” objetiva terminar com este tipo de voto. No voto distrital, os eleitores poderiam eleger apenas candidatos vinculados àquele distrito eleitoral. Ou seja, seriam criadas “regiões eleitorais” no estado, obedecendo à proporcionalidade no número de habitantes de cada região. Mesmo que este “regulamento” não seja válido, na prática os eleitores preferem candidatos da própria cidade – o que acaba caracterizando uma espécie de voto distrital.
Eleger candidatos da região é atitude benéfica para o progresso da mesma. A Região Metropolitana de Maringá conta hoje com dois deputados federais (Ricardo Barros e Odílio Balbinotti) e cinco deputados estaduais (Dr. Batista, Wilson Quinteiro, Enio Verri, Luiz Nishimori e Cida Borghetti). Tamanha representatividade culmina – na maioria das vezes – com o aumento das verbas para Maringá e região. Ainda assim, possuir diferentes grupos no poder beneficia a democracia, verdadeiro respeito ao pluralismo político.
Quanto mais se aproximam as eleições, maior é a necessidade de campanhas neste sentido. A população regional só tem a ganhar com vários deputados na assolada Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Espera-se, portanto, que a prática protecionista do voto regional possa também valer para 2010. Assim, Maringá e região agradecem.
Tiago Valenciano é graduado em Ciências Sociais e Mestrando em Ciências Sociais pela UEM.